sexta-feira, novembro 8

"Vó, me conta a sua história?"

Há alguns meses, uma prima me mandou mensagem dizendo que havia um livro que era a minha cara! Abri a foto e pensei na minha mãe e no filho. Perguntei se ela poderia comprá-lo e entregar a minha mãe. Ainda pedi que no “kit surpresa” tivesse também canetinhas coloridas. Não seria eu se não tivesse tudo colorido.


Em seguida avisei a minha mãe que ela receberia um presente. Mas que o presente não era dela. E sim, de Pedro. Ela não entendeu nada. Lógico! E quando recebeu, lembro que me avisou que escreveria.

Eu, daqui de Rio Preto, estava curiosíssima para saber como estava. E minha mãe, contava-me (quase) tudo. Inclusive das pesquisas que ela precisava fazer com minha tia- avó para saber alguns detalhes que o livro pedia.

Em junho, meus pais chegaram aqui de supetão. E na mala, o livro TO-DI-NHO escrito pela minha mãe. Eu pirei de alegria! Ela entregou a Pedro e o momento foi lindo! Eles ficaram lendo juntos. E Pedro, mega curioso, querendo saber de tudo e muito mais do que estava ali. Eu me emocionei.

Clica no play e se delicia!




Esta coleção “Tesouros da Familia”, da Editora Sextante, da autora Elma Van Vliet é maravilhosa. Ela criou o primeiro livro quando sua mãe adoeceu e ela percebeu que não sabia de muitas histórias dela. Assim, num caderninho escreveu algumas perguntas e entregou a sua mãe. Resultado? Resgate das memórias! E lógico que conectou várias pessoas. Muitas pessoas pediram o caderninho. E logo virou livro. Ela fez mais outras versões: para Vó, Vô e Pai. E
Acho que você já percebeu que a AMO as histórias. E quando as histórias conectam através das memorias afetivas eu amo ainda mais. Esta coleção honra nossa história. Honra nossa ancestralidade. E como é bom sabermos nossas raízes, não é?

Eu só posso agradecer a minha mãe pelo capricho. E sim, demorei em te contar porque eu não conseguia escrever. A emoção me tomava. Sempre!

E se você quiser escrever para seu filho, faça. Será lindo! E se quiser presentear, como eu fiz os avós, também será bem legal! E para aqueles que não gostam de fazer sozinho, a criança pode fazer junto. Como se fosse uma entrevista. Olha que legal! Tenho certeza que novas memórias afetivas serão criadas e guardadas no coração!

Até a próxima!
Elaine Cunha

sábado, novembro 2

Li e Indico: Os dois lados do rio

Acordei pensando numa indicação de livro especial para dia de hoje. Dia de Finados.

Como falar com a criança sobre uma etapa natural da vida que é a morte? Sabemos que todos "Nascem, crescem, reproduzem e morrem", não é? Mas na hora H que, como lidar com este misto de sentimentos?  Então, por que não contarmos histórias como fonte de inspiração para conversas? As histórias podem ser usadas como fonte de transformação. Eu uso. E confesso que os resultados destas experiências são maravilhosos. Sempre!

O livro "Os dois lados do rio" do Roberto Carvalho da Editora Aliança é daqueles que fala poeticamente sobre este processo natural.

O personagem principal é o macaquinho Ranulfo que vive na floresta, próximo às margens de um rio imenso. Sua avó conta a ele que há coisas maravilhosas do outro lado do rio, mas que é necessário esperar o tempo certo para atravessá-lo. E quando chegar o momento do Ranulfo fazer a travessia, ele terá muitas surpresas reservadas para ele.

Quando eu mostrei o livro ao filho, logo ficou curioso somente em ver a capa. As ilustrações são lindíssimas. Eu disse que parecia ser o momento em que ele – macaco – estava contemplando a margem do rio.

A curiosidade do macaco em saber como é o mundo do outro lado e a leveza da sua avó em falar que também há vida no outro lado é poética. Que a travessia acontecerá, mas não sabemos quando, apenas o Criador. E ao revelar alguns ensinamentos de vida do outro lado da margem, de como podemos aproveitar a vida na margem que estamos agora, a avó mostra a importância dos valores de vida, do que é realmente importante para se viver bem nas margens dos rios.

A avó faz a travessia para outra margem. É meste momento em que Ranulfo relembra os seus ensinamentos. Apesar da tristeza pela ausência, pois não se despediu dela, ele percebeu que a avó levou com ela todo o amor que ele a dedicava. Tempo passa. Ele cresce e repassa os ensinamentos aos seus filhos. Até que... é chegada a hora dele atravessar o rio e reencontrar a avó.

Sabe, morte não é o fim. É apenas um "até breve". É como atravessar a margem do rio!

Vamos conversar sobre isto?

Até a próxima!

Elaine Cunha