quarta-feira, novembro 3

Primeira vez!

Quando terminei meu treinamento, minha tutora Suzana teve uma missão: fazer o relatório do meu processo para a associação. Lógico que eu fiquei super hiper curiosa para ler, mas tranquila porque durante todo a minha aprendizagem, a Suzana conversava muito comigo. Eu tinha sempre os feedbacks, o que me ajudou bastante. No final do mês de setembro recebi um email assim:

"Cara Elaine,
Recebemos sua avaliação de treinamento e estamos felizes por você ter concluído todas as etapas do Processo Seletivo 2010. A partir deste momento você está liberada para atuar sozinha, utilizando o avental de treinamento. (...)"

Notícia excelente e tão esperada, não foi?

Porém, setembro não foi um mês apenas de alegrias não. Tive alguns contratempos no âmbito profissional, em que meu corpo não “agüentou o rojão”. Gripei, dor de garganta terrível (tempo aqui não ajudou nada!), febre e para ser bem original, minha coluna reclamou alguns dias. Fiquei quase um mês sem ir ao hospital.

Tempo... Tempo tudo cura e tudo organiza, não é?


Na última sexta feira foi a minha minha primeira visita já como contadora formada! Não tinha tutora, não tinha ninguém me acompanhando. Minha expectativa subiu aos céus novamente. Parecia que era meu primeiro dia de treinamento. Desde preparar minha sacola mágica (os meus livros), meu avental, bem como preparar a minha alma. Cheguei ao hospital e me dei conta do quanto aquele momento me fazia falta.

Ao entrar na ala infantil, olhei pelas janelas para identificar quantas crianças estavam por lá. Eram apenas 4. Decidi entrar no quarto onde estava o Caio que logo quis ouvir histórias. Ficou encantado com o livro "Escola Mágica". Meu recurso favorito para fazer o "quebra gelo". Este livro permite interação com a criança e eu conduzo como ele sendo o mágico da história!

Estávamos indo super bem, até que a enfermeira entra no quarto para fazer medicação intra-venal. Ele gritou, chorou, ficou aos prantos. Aquela cena me impactou muito. Fiz o que eu aprendi a fazer. Sai do quarto, deixando a enfermeira fazer seu trabalho. Sai de fininho. Fui interagir com as outras crianças, mas o meu pensamento estava no Caio.

Encontrei também o Juan (acredito que colombiano). Ele estava lendo gibi com a mãe e quando me viu passar quis ouvir histórias. Ele falando espanhol e eu português. Quem disse que a leitura não ultrapassa a barreira da língua? Lemos juntos o livro "Sons divertidos e apavorantes" inspirados pelo dia das bruxas que estava chegando. Foi maravilhoso ver o Juan rindo com cada página virada. A cada página, um novo som e alegria pela descoberta.
Antes de eu ir embora, voltei no quarto do Caio. Ele estava dormindo.

Sai da ala e fui ao refeitório. Não estava com fome de comida, estava com fome de oração. Nas sextas-feiras, tem missa dos enfermos sempre às 16h. Cheguei no finalzinho. Entreguei-me a oração. Meu pensamento o tempo todo no Caio. Entreguei a Deus aquele menino que, naquele momento, precisava de oração. Quando terminou a celebração, sai fortalecida. Meu papel como contadora de história voluntária em hospital é assim. Terá dias que surpreenderei. Terá dias que serei surpreendida.

Até a próxima visita!

Elaine Cunha

7 comentários:

  1. Parabéns, amiga, por toda dedicação. Me emocionei, "viajando" no seu relato.
    Tenho certeza que o Caio já está melhor. E vc terá outra oportunidade de terminar a leitura.
    Siga sempre assim!
    Vc é iluminada!
    Bjs

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  2. Terminei a leitura com os olhos rasos d´água. Seu papel ultrapassa o de contadora, sei que serás uma "intercessora" e com seu amor e cuidado, na alegria do contar, ajudará muitas crianças e será também por elas auxiliada.
    Beijos orgulhosos da sua 1a vez!

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  3. Olá.
    Hoje venho aqui para te convidar para participar do amigo oculto do Mix.
    Passa lá:
    http://www.mixculturainformacaoearte.com/2010/11/amigo-oculto-de-livros-segundo-ano.html
    Te espero!

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  4. Lene,

    É bom viajar! :) Aqui no blog nossa imaginação alcança altos vôos!

    beijos

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  5. Aline,

    eu sinto que através da contação, as crianças do Cotoxó se sentem muito mais acolhidas. Este sentimento de fazer o bem é realmente muito bom. Obrigada pelo carinho
    Beijos

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  6. Beta, ADOREI a idéia do amigo oculto.

    Estarei lá!
    Pode deixar!
    Elaine

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  7. Amiga querida! Lindo d+, fiquei com lágrima nos olhos!
    Que trabalho lindo! Vc é uma anjinha..
    Parabéns.
    Beijos
    Fabi

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Abraços!
Elaine Cunha